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Como lidar com a realidade de forma criativa em temmpos de Quarentena?

Por NATHÁLIA ANTONIO.





Vivemos dias que mais se assemelham à ficção científica do que, propriamente, à vida real. Fomos todos pegos de surpresa por uma pandemia, que se iniciou em um lugar remoto dentro da China, e se espalhou por todos os países do globo terrestre. Acreditávamos que era uma simples gripe, entretanto, esse vírus, de alta transmissibilidade, tirou o mundo dos trilhos. Nossas vidas, literalmente, pararam. E a questão é:

Como lidar com a realidade de forma criativa em tempos de quarentena?

Para encontrarmos uma resposta plausível, entrevistamos o psicólogo Claudio Galiotto, que nos elucidou maneiras de encararmos o confinamento através de uma perspectiva criativa.

Entrevista

É fato que, nunca em nossa existência tivemos tanto tempo sobrando para usarmos com as nossas próprias vontades. Então, a reflexão do que genuinamente queremos para nós, se faz necessária.

Sendo assim, Claudio nos convidou a pensar da seguinte forma:

"Gostaria que você fizesse uma pequena vivência comigo. É muito simples e rápido, apenas feche seus olhos, ou os mantenha aberto se preferir, respire profundamente três ou quatro vezes e procure identificar o que essa quarentena trouxe para você. Quais são seus sentimentos? O que vem à sua mente? O que você sente em seu corpo?

Conseguiu identificar? As respostas são variadas, pois cada um de nós sente de uma forma diferente. Pode ser que você tenha identificado medo, insegurança, raiva, angústia, preocupação, frustração, depressão, ansiedade, desamparo, esperança, etc...

Talvez você esteja tão confuso, que ainda não consiga identificar seus sentimentos. Ou talvez, você esteja com uma sensação de desconforto que não consegue nomear. Incomoda mesmo! Seria como estar com fome e não poder se alimentar, ou estar com sono e não poder dormir quando se quer.

Talvez você tenha identificado vários sentimentos de uma só vez, ou ainda, pode ser que você precise de mais tempo para fazer isso – não tem problema, você pode repetir essa vivência quantas vezes achar necessário."

E Claudio continuou dizendo:

"Eu sei que essa experiência do desconforto ou do incômodo é algo que, para a maioria de nós, pode ser sentida como “ruim”. Por exemplo, se você estiver sentado durante muito tempo numa mesma posição, irá cansar, pois é desconfortável. E com isso, você mudará de lugar para se sentir aliviado. Percebe? A partir de algum grau de desconforto, de incômodo, daquilo que nos deixa inquietos, é possível realizar uma mudança, ou não. Isso varia de pessoa para pessoa.”

"Hoje, a quarentena é uma experiência coletiva, vivida por todo mundo e com poucos modelos disponíveis - ou seja, nós precisamos criar os modelos mediante os recursos que nós temos. E tais recursos, pelo menos a nível mais básico, são os nossos sentimentos." Completou o psicólogo.

Em meio à tantas questões que o enclausuramento nos traz, perguntei o que poderíamos fazer para amenizarmos a sensação de prisão, que sentimos com o confinamento. A resposta foi:

"O primeiro passo é aceitar a realidade que estamos vivendo, e que ela está fora do nosso controle. Aceitar que estamos juntos em uma experiência coletiva, aceitar o medo, a insegurança, a preocupação, e que outras pessoas também estão passando pelo mesma situação. Afinal de contas, é assim que a gente se sente diante da experiência do desconhecido. Nos sentimos ameaçados, pois entra em jogo a nossa sobrevivência, a nossa proteção e a falta de recursos para lidarmos com tudo isso.

Quando eu não aceito, eu fico tenso e andando em círculos, preso na experiência. E ao que me parece, não temos nem a segurança nem todo controle que fantasiávamos ter, não é verdade? Porém, para obtermos o que precisamos, primeiro é necessário ver o que não temos, para só depois adquirirmos o que nos falta.”

Seguindo este pensamento, nosso entrevistado nos leva a perceber que o confinamento pode nos trazer muitos benefícios, se praticarmos o autoconhecimento. É essencial o entendimento do que precisamos aflorar dentro de nós, para somente então focarmos nessas nuances.

Todo dia que nasce, é uma nova oportunidade de iniciarmos, ou darmos seguimento em algo positivo nas nossas vidas. Mesmo durante o confinamento, devemos continuar a viver, já que, presos ou não, a vida precisa seguir.

Claudio dissertou sobre o segundo passo para nos sentirmos melhores:

"Em segundo lugar, é incluir o que você está sentindo na busca de novos recursos. Então, cada um pode se perguntar:

O que eu gostaria que acontecesse agora comigo? E se a quarentena acabasse nesse momento, o que eu já teria aprendido?

Dentro de cada um de nós existem recursos, potenciais. Pode ser que, pelas nossas crenças e condicionamentos, e pela tensão que estamos vivendo, não estejamos vendo, mas eles existem."

E finalizou com a terceira possibilidade que temos:

"Em terceiro lugar, é usar esses recursos. Vou dar um exemplo concreto para ficar ainda mais claro, ok?

Quando os portugueses e espanhóis saíram da Europa para explorar outros continentes, quais recursos de navegação eles usaram?

Resumidamente, o mais básico: as estrelas, pois eles se guiaram pelo céu. Eles demoraram muitos dias, mais de um mês, para chegar até a América. No entanto, a primeira nave tripulada que foi à Lua demorou cerca de quatro dias. Eles precisaram se guiar pelas estrelas, mas também precisaram de recursos muito mais sofisticados.

Portanto, essa situação que vivemos também está gerando crescimento pessoal, pois cada um de nós precisará lidar com as próprias inseguranças e buscar as próprias habilidades. Nesse sentido, o que você tem e quais são as habilidades que você pode desenvolver? Quais recursos você pode ir buscar? Se você não consegue responder essas perguntas, sabe aonde buscar ajuda?

A quarentena é uma grande navegação com um destino um tanto quanto incerto e eu sou mais um navegante. E você? Como vai decidir fazer essa viagem?"

Todos nós, caro leitor, temos habilidades e precisamos usá-las para atingirmos nossos objetivos. De forma fraternal, passamos juntos por um período, que certamente vai acabar. E para iluminar esses dias de quarentena, devemos focar no que nos faz bem. Cabe a nós a decisão de enfrentarmos essa batalha com otimismo, crescimento pessoal, prática de atividades que nos traga prazer e sempre com responsabilidade, tanto conosco, quanto com os demais.

Chegou a hora de aparamos algumas arestas, de enxergarmos um horizonte de possibilidades, um mar de recursos e um céu de esperança. Não criemos pânico. Dias melhores certamente virão! Você não está sozinho, pode contar com a gente!

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